Você tem visão política…

Olho_Fotor

…ou simplesmente compartilha a visão dos outros na internet?

Você acredita em Adão e Eva, paraíso, fruto do conhecimento, na criação do homem e da mulher pelas mãos de Deus, portanto que ambos já nasceram como somos hoje, ou você concorda com a ciência, com o desenvolvimento biológico, celular, Darwin e  seus organismos microscópicos, lentas mudanças em milhões de anos, e que dos primatas nós viemos? Ou ainda que somos o pó das estrelas como defendem os alquimistas?

Sua opinião sobre o casamento é que trata-se de uma instituição sagrada ou é simplesmente um contrato civil, sua base deve ser estabelecida somente entre uma pessoa do sexo masculino e outra do sexo feminino, ou você admite que ele seja realizado por pessoas do mesmo sexo? E as relações sexuais são apenas para a procriação ou elas têm funções mais amplas na vida de um casal? E estes filhos gerados somente poderão ser criados e educados por casais de sexos diferentes, por pais ou mães solteiros, ou ainda por casais do mesmo sexo?

São infinitas as questões existenciais colocadas todos os dias, diante de uma das maiores obsessões humanas: A Verdade.

Todos nós buscamos aproximar as nossas atividades diárias daquilo que entendemos  mais correto (porque entendemos como mais verdadeiro), mas é claro que trata–se da nossa verdade, nosso ponto de vista, influenciado no máximo por aqueles que nos cercam e nossas leituras.

Estas são as nossas crenças, mais arraigadas e solidificadas, sobretudo quanto menos educados formos para o debate, para a discussão, para trabalharmos as ideias sem preconceitos, acatando cegamente leis petrificadas e dogmas. (A tirania das nossas crenças)

Então como chegaremos aos conceitos que nos farão avançar, que nos tornarão pessoas melhores, mais tolerantes, mais conciliadoras, mas positivas, mantendo a criticidade saudável e necessária para afastar a estagnação, sempre à espreita?

Só existe uma resposta segura para esta pergunta. A mesma que nos trouxe até aqui, transformando a tribo em civilização, e congrega estas atitudes: troca de informação, conhecimento, ideias, bons e exaustivos debates, troca de experiências, respeito pelas ideias alheias (mesmo que não concordemos com elas), saber ouvir, sempre que discordar fazê-lo com argumentos, enfim consolidando uma certeza: quando compartilhamos ideias elas tendem a melhorar.

Portanto não existe uma proposta mais casuísta, manipuladora e porque não dizer obscurantista do que esta que propõe a tal “escola sem partido”. O que se esconde debaixo desta pele de cordeiro é uma verdadeira serpente mortífera. E o que ela mata? O que temos de mais precioso: a troca de ideias, a discussão de conceitos, a multiplicidades dos pontos de vista. Porque não existem, nem nunca existiram professores sem carga ideológica. Em todas as épocas os professores dos nossos pais, avós, bisavós, etc., todos sempre possuíram um viés próprio, seja cultural, religioso, filosófico ou ideológico.

Este fato nunca prejudicou a educação e formação de nenhuma geração, muito pelo contrário, este fato proporcionou mudanças em comportamentos, alargamento dos horizontes, ampliação da visão. Até porque esta realidade não ocorre apenas nas escolas.

Nenhum jornalista é absolutamente isento na transmissão da informação. Os fatos (a chamada realidade) depois que se transforma em um texto jornalístico vira uma espécie de ficção, justamente porque é “lida e transmitida” por um ser humano com suas idiossincrasias. Da mesma forma temos padres conservadores pregando conservadoramente pela manutenção das diferenças, temos padres socialistas e até mesmo comunistas pregando por igualdade. Da mesma forma que temos comunistas e socialistas profundamente religiosos. Não existem intelectuais, cientistas, empresários, profissionais liberais, agricultores ou donas de casa que não possuam suas próprias crenças.

Por que então professores teriam que ser áridos como um deserto? Alguns responderão: porque educam “as nossas crianças inocentes”. Estas pessoas acreditam na tese da “tábula rasa“. Mas ainda assim a pergunta permanece: e por que as demais gerações não se perderam, mesmo formados por professores posicionados? Seguramente é porque a educação não se faz apenas na escola, existe toda a estrutura social, círculo de amizades, além da própria família, essencial na formação de uma criança.

A visão política é praticamente uma extensão dos nossos pensamentos e atos. Somos animais políticos. Não são politizados apenas aqueles que vivem marginalizados pela sociedade, sem cultura, sem educação, desconhecendo o debate construtivo, vivendo em miséria material e espiritual. Em muitos casos esta miséria significa a posse de verdades inabaláveis e inescapáveis, barreiras para o alargamento da mente, para a construção da visão própria, do questionamento e indignação saudável.

Quando não somos estimulados à critica, à argumentação, ao debate das ideias, passamos a enxergar o mundo de uma forma obtusa, com uma só perspectiva, somos doutrinados por um discurso hegemônico que tudo abarca e tudo explica. Vivemos isso hoje no Brasil e suas redes sociais. A tecnologia digital transformou-se para milhões de brasileiros em religiões, milícias, times de futebol, ou mesmo espaço para a difusão do rancor e da violência gratuita. O ato de compartilhar, que pelo significado do verbo, deveria ser um ato de generosidade se transformou em uma ação de inocência útil na propagação de bobagens e inverdades, quando não buscando destruir a imagem do outro.

Isto está acontecendo por falta de visão política aos brasileiros, transformados em gado digital, se deslocando conforme a boiada, ruminando o mesmo pasto, rodopiando em torno do próprio rabo. Os grupos menores são tocados por grupos maiores, em uma cadeia de interesses inomináveis. Todos aqueles que compartilham matérias automaticamente, sem conferir fonte ou fazer uma crítica ao conteúdo diante da sua própria luz, são utilizados de forma grosseira e abjeta. Reproduzem a ignorância de forma exponencial, são cúmplices de um crime contra a inteligência e iluminação da humanidade.

Não há conteúdo que não tenha um viés tendencioso, por se tratar exatamente da tendência de quem escreve. Você só precisa saber se esta “tendência” deseja debater um assunto ou usar o leitor como “mula” de mensagens intolerantes, mentirosas e distorcidas.

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