O ódio que nos envergonha

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Raros foram os momentos em que senti vergonha de ser brasileiro. Primeiro porque não pertenço ao grupo de brasileiros que têm vergonha de si próprios, não enxergam nada de bom no país, são frustrados e descarregam suas frustrações sobre a sociedade, aqueles que repetem a máxima: tudo que existe de bom vem do exterior.

Não apenas não concordo, como penso mesmo que perdemos no Brasil um maravilhoso momento histórico para, definitivamente, encontrarmos um caminho próprio para a sociedade brasileira. Os motivos pelos quais não conseguimos, dariam, por si só, um tratado sociológico imenso. Qualquer tentativa de abordar o assunto de forma simplista, como tem sido feito por alguns formadores de opinião ou segmentos da mídia – estejam eles mais à esquerda ou à direita -, é cair em um pântano de intolerância, ignorância ou má fé.

Mas voltando ao meu sentimento de vergonha pelo Brasil, talvez ele tenha emergido por um cansaço ou fadiga, que não não me permitiu ficar indignado, restando apenas a vergonha. O Brasil da “Intolerância e Estagnação” nos causa vergonha, já que as vozes que se elevam são burras, cegas, surdas, e perigosas.

Senti vergonha do Brasil quando assisti ao vídeo gravado em celular, no aeroporto de Congonhas, São Paulo, com agressões covardes e rasteiras contra Judith Butler, que esteve no país para algumas palestras. Um vídeo e uma manifestação realizadas por desqualificados, que devem se achar guerrilheiros ou cavaleiros de um apocalipse que não chegará.

Qualquer um poderá discordar do pensamento de Judith Butler, há qualquer tempo, mas isto não significa que alguém possa agredi-la de forma covarde, violenta, afirmando que ela “não é bem-vinda ao Brasil”. Quem são estas pessoas que se dão o direito de saírem por aí chamando os outros de “vagabunda”, “assassina”, etc.? Quais interesses têm essas pessoas? Quem lhes dá o direito de falarem em nome do Brasil? Quando a justiça brasileira irá começar a responsabilizar as pessoas por aquilo que falam publicamente?

Você sabe quem são estas pessoas? Ninguém.

Mas estão falando em nome do país. Estão por aí agredindo os outros, não querem saber de discussão, querem violência, querem ir a forra com os seus diferentes. Buscam puxar o país para a obscuridade, querem fechar fronteiras e construir muros.

Eles não vencerão. Seu ódio, preconceito e ignorância poderão derramar algum sangue, mas este será finalmente absorvido pela terra, que um dia também os enterrará.

 

Confira a resposta de Judith Butler.

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