Militarização e morte

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Três de Maio de 1808 em Madrid, Os fuzilamentos da montanha do Príncipe Pío: Pintura de Francisco de Goya

Não entendo pessoas que propõem o caminho da militarização como solução para quaisquer dos males ou contradições da sociedade. Não conheço qualquer movimento, exercido através da força, que tenha gerado mais felicidade ou justiça entre os  povos. Todas as revoluções (mesmo aquelas) iniciadas em nome do povo, que se apoiaram no braço armado, geraram tiranos sangrentos, que por sua vez deixaram um rastro de mortes entendidas como “justificadas” por suas “ideologias”.

Apenas como alguns exemplos: Mao Tsé-Tung (China), Josef Stalin (Russia), Adolf Hitler (Alemanha), Benito Mussolini (Italia), Francisco Franco (Espanha), Francois “Papa Doc” Duvalier (Haiti), Augusto Pinochet (Chile), Nicolae Ceausescu (Romênia), Idi Amin (Uganda), Saddam Hussein (Iraque), Moammar Gaddhafi (Líbia), Kim Jong-Il (Coréia do Norte) e sua descendência até hoje. Isto para ficarmos apenas em alguns, porque a lista seria incalculável se entrássemos história adentro.

Todos, com algumas exceções, vestiam regularmente uniformes militares (mesmo não o sendo) mostrando seu poder e construindo sua imagem. Quem não tem gravado em sua retina a imagem (dos noticiários da TV) de militares ou paramilitares sobre jipes velhos, com fuzis em punho, uniformes surrados, executando, roubando, estuprando, ultrajando, civis indefesos em campos de refugiados, ou cidades dominadas.

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Homem e Mulher em frente a uma pilha de excrementos. Pintura de Miró.

Pessoas inocentes vitimas de uma covardia sem fim praticadas por animais fardados, investidos de uma autoridade ilimitada e insana.

Quando se inicia uma guerra, pode-se ter assegurado uma certeza: Não haverá vencedores. A ideia de um exército com toda a sua disciplina, rigidez, hierarquia, com uniformes polidos, engomados, sem manchas ou amassados torna-se ridícula quando uma guerra inicia. Aqui resta apenas a insanidade, o ódio, o horror, a morte (o menor dos males), a amputação (física ou emocional), a dor, o desequilíbrio, a demência, o medo e o trauma, além de um amontoado de corpos afundados na lama.

A humanidade necessita superar esta insanidade chamada guerra, força, arma, violência. Esta tragédia nunca nos elevou, não nos fez melhores, causou cicatrizes que nunca desapareceram, dividiu, para não mais reunir, famílias, irmãos, povos e sonhos. Alguns defendem que houve muito avanços científicos nas guerras, mas temos que compará-los com as perdas (vou citar apenas algumas do século passado):

Genocídio Armênio: conhecido como o primeiro holocausto do século XX, quando os Turcos mataram aproximadamente 1,5 milhão de Armênios. Iniciando com a execução de 250 intelectuais no dia 24 de abril de 1915.

Primeira Guerra Mundial: 15 milhões de mortos e 20 milhões de feridos. Algo entre 5 e 6 milhões de soldados sofreram mutilações. Gás Venenoso usado pela primeira vez em 1915 matou 20 mil pessoas e marcou profundamente a memória desta guerra. 3 milhões de viúvas e 6 milhões de órfãos.

Segunda Guerra Mundial: mais de 80 milhões de mortos. 25 milhões soldados e 58 milhões de civis

Guerra Civil Russa: número estimado de mortos de 5 a 9 milhões de pessoas entre 1917 a 1921. Com a chegada do partido bolchevique, que estabeleceu o primeiro governo inspirado no socialismo. Sob o comando de Stalin muitos russos ainda foram assassinados aproximadamente 4 milhões em nome da revolução.

Revolução Comunista Chinesa: Mao Tsé-Tung tem dois momentos revolucionários: O primeiro de sua revolução comunista o número de mortos pode chegar a 20 milhões, já  para o “Grande Salto para Frente”, segundo momento da revolução, de 1959 a 1961, o número de mortos varia entre 20 milhões e 75 milhões.

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Guernica. Pintura de Pablo Picasso.

Não vamos falar de outras grandes guerras como: Guerras Napoleônicas, Guerra dos Trinta anos, Guerra do Congo, Guerra da Coréia, Guerra Irã/Iraque, Guerra do Vietnã, Guerra dos Sete anos, Guerra Civil da Nigéria, Revolução Mexicana, todas com no mínimo um milhão de mortos, algumas chegando a 11 milhões como a Guerra dos Trinta Anos.

E não vou falar da loucura de Darfur, Sudão do Sul, a lepra que dominou o Chade, o massacre de Uganda…

Por que alguém ainda defende a militarização, seja lá do que for??? Nada justifica combater, através da miséria militar, a miséria humana que já se basta por si só….

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