Humano, demasiado humano

 

O título deste texto é um livro de Friedrich Nietzsche, onde o filósofo alemão destrói, de maneira consistente, as realidades eternas e as verdades absolutas, de sua época. Nietzsche nos apresenta o conceito de espírito livre e projeta o comportamento do homem do futuro.

Neste livro de aforismos faz um crítica pesada sobre a história da filosofia e da ciência, nos dando conta que elas não atingiram seu objetivo de ajudarem na construção de espíritos realmente livres: homens que não permanecem no conforto do trilho já aberto por seus antecessores, mas que desbrava seu próprio caminho.

Mas apenas cito Nietzsche, um iconoclasta absoluto, porque considero sua obra como o bisturi, mais afiado, sobre a carne macia dos homens entorpecidos pelo som hegemônico do poder.

O poder que sempre controlou através de sua mais conhecida ferramenta: o medo.

Assim, nos últimos 100 anos, a população mundial, entre capitalismo e socialismo, vagou perdida entre informações e desinformações. Uma divisão maniqueísta que servia aos dois senhores. Anjos e demônios. Uns exploravam os mais fracos para obtenção do lucro, os outros comiam criancinhas, além de serem ateus.

Dessa forma, de maneira segmentada, quem detém algum poder sempre utiliza o medo como seu aliado para a manutenção deste mesmo poder.

Alguns exemplos são fáceis de serem comprovados: A indústria farmacêutica e seus remédios salvadores, a indústria religiosa e suas doações salvadoras, a indústria da segurança e suas câmeras e alarmes protetores.

Quem conhece a obra de Thomas Malthus, cientista inglês, falecido no século XIX, sabe de sua projeção de fome, miséria e doenças, a partir de estudos sobre o crescimento aritmético da produção de alimentos contra o crescimento  geométrico da população mundial. Lançou o terror sobre as pessoas e depois vendeu sua tese de controle da natalidade, castidade, etc. Como bom religioso anglicano que era, depois de estruturar o problema da matéria, entrou no campo do espírito para concluir seu estudo de caráter moralizante.

Porém nenhuma destas estratégias e modus operandi me surpreende. Esta era a nossa história, uma história feita de muitos equívocos, sangue e lágrimas, onde caminhávamos quase tateando sobre a geografia escarpada e difícil do planeta, sem uma ampla visão do todo.

Mas chegamos aqui com um mundo “menor”, mais próximo onde nunca se falou tanto em tolerância, compreensão, diferenças, compartilhamento, etc. E o fruto desta inflexão, mudança de comportamento, que retirou os “humanos” da discussão focada no cadáver capitalismo/comunismo foi: o ambientalismo. Nossa última e mais recente utopia. Uma nova hóstia para ser ingerida.

Minha surpresa reside aí. O discurso estruturado dos ambientalistas, segue com a lógica velha, utilizando o medo como bengala. Aquecimento global, elevação do mar, degelo das calotas polares, camada de ozônio, etc…. Dados deturpados, enganosos para que a população mundial tenha aderência através do pavor, do medo da morte, da incerteza no futuro.

É realmente triste que uma discussão positiva e importante como esta seja tratada de forma tão venal. É fundamental abordarmos os recursos naturais, sua utilização pelo homem, a definição dos nossos limites, mas sem a posição hegemônica e monolítica, mais uma vez do poder econômico travestido de cordeiro.

Nietzsche ainda aguarda a nossa construção de espíritos livres. Mas sem o devido espaço para o contraditório, para pensamentos divergentes ou mesmo antagônicos, sem o respeito às diferenças (sistematicamente defendidas nas vanguardas), não avançaremos um milímetro. Espero que o Ambientalismo não se transforme em mais uma marca, como tantas outras, vendida em nossos shoppings…

 

 

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