Max para ver

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Foto com intervenção de Max Moura

 

A paixão final de Max Moura pela fotografia talvez tenha dominado as fronteiras de seu território em função de um certo cansaço do fazer. O desenho, a pintura e a gravura são ofícios que exigem além do mental, também o físico, a fricção com a matéria resistente. Passar uma vida arrancando imagens de suportes brancos esgota nossos tendões e também as sinapses.

O enfrentamento angustiante com o branco do papel, da tela ou mesmo da pedra, metal e madeira se torna cada dia mais difícil, porque nosso grau de exigência cresce, ou pelo menos deveria. Buscamos aquilo que Paul Klee chamava: tornar visível.  Em algum momento de uma vida, como a de Max, totalmente voltada para a imagem, aqueles que trabalharam, como ele, dura e longamente revelando imagens a partir de toda a forma de matéria, se encontram diante de um simples prazer: ver. Isso porque aprenderam a olhar e ver.

A relação extrema e intensa com a imagem permite realizar aquilo que já sabemos: ver é imaginar.

Aqui lembro do cinema de Pier Paolo Pasolini em Decameron, quando na cena final o artista que pinta o retábulo, sonha com sua própria obra e ao acordar se pergunta: para que pintar, quando é tão melhor sonhar?

O que é sonhar senão ver com a alma, ainda que prescindindo de um corpo óptico, embora uma alma ainda manchada de carne e sangue?

Max viu suas imagens finais através de uma lente, enxergava seu mundo particular e o congelava, recortando, adicionando ou subtraindo os elementos de sua alma. Gravava sobre as imagens naturais outras imagens que apenas seus olhos captavam.

Quando ganhei esta foto lhe disse que escreveria sobre ela e cheguei a nomear os três personagens do primeiro plano: O perfumista, o letrado e o inquieto. Os três personagens desta foto que Max me deu durante sua exposição. Mas Max insistia comigo que não me fixasse apenas no primeiro plano mas principalmente ao fundo onde o seu desenho já era anunciador.

Não escrevi o texto após sua morte, talvez um dia o faça.

*O pintor, desenhista e gravador Max Moura nasceu e faleceu em Florianópolis em 1949/2009.

 

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