Você é o que parece?

Orson Welles 1970

Orson Welles 1970

Braque 1949

Braque 1949

Um retrato realizado por um pintor revela a alma do modelo. A fotografia capta o sentimento no instantâneo. A luz na paisagem desperta certas emoções. As roupas ou adereços podem transformar uma pessoa.

Todas estas frases acima, lugares comuns, simples vulgaridades, sugerem que uma coisa é o que somos e outra é o que parecemos ser. Uma coisa é a essência outra é a aparência.

Mas será que não somos apenas aquilo que parecemos?

Será possível nossa pele não transpirar simplesmente a química de que somos feitos? Nossos olhos absorvem ou emitem luz? A imagem é retida no fundo da retina ou é projetada no corpo observado? As formas criadas são resultado de agentes externos ou são pura extensão de nossas mãos? Cada ruga descreve uma história processada, cada gesto mais um desdobramento sobre si mesmo, ao respirar o corpo fala, ao sonhar estamos nus, não há como separar o que somos da nossa aparência.

Algum dia, em nossa ancestralidade, já conhecemos este homem integral, uno, indissociável, após os gregos passamos a enxerga-lo como essência e aparência, como corpo e espírito, céu e inferno. A partir daí abrimos caminho para a construção do mundo da imagem projetada, onde o “poder” se aninhou e o “consumo” se transformou em seu filho pródigo.

A imagem projetada hoje tem vida própria, recebeu o status de realidade, com valores e dimensões próprias. Fracionamos a vida em milhares de espelhos, fragmentos e desconexões que se sobrepõe velozmente em busca de uma unidade que não se encontrará jamais, apenas giramos o caleidoscópio, mudamos tudo, todos os dias, todas as horas, para que tudo permaneça exatamente igual.

Quem são esses rostos que passam por nós? pais, amores, amigos, inimigos, superiores, inferiores, estrangeiros, irmãos, desconhecidos, terroristas, facistas, pacifistas; nos perdemos na nomenclatura, na doce ilusão do detalhe. Reside aí, na separação entre a essência e a aparência, os grandes equívocos e injustiças entre indivíduos, grupos sociais e povos, julgamentos lastimáveis que geram preconceitos, ódios e seguramente mais intolerâncias.

Quando olhamos uma imagem, um retrato deveríamos ver o ser integralmente, de um só golpe, não apenas uma de suas pequenas facetas.

Certamente essência é o mesmo que aparência.

Giacometti 1966

Giacometti 1966

Artaud by Man Ray em 1926

Artaud by Man Ray em 1926

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Are you what you seem to be?

A portrait made by a painter reveals the model’s soul. The photography captures the feeling on the snapshot. The light on the landscape awakens certain emotions. The clothes or adorns can transform a person.

All the statements above, common places, simple vulgarities, suggest that one thing is what we are and another thing is what we seem to be. One thing is the essence, other is the appearance.

But aren’t we only what we appear to be?

Is it possible to our skin just not to simply transpirate the chemistry of what we are made of? Do our eyes absorb or emit light? Is the image kept on the back of the retina or is it projected on the observed thing? Are the created forms a result of extern agents or are they a pure extension of our hands? Every wrinkle describes a processed story, every gesture another development into the self, the body speaks while breaths; as we dream, we are naked; there’s no way to pull apart what we are from our appearance.

Someday, in our ancestrality, we have already met this integral, unique, indissociable man; after the Greek, we see him as essence and appearance, as body and spirit, heaven and hell. Since that, we have opened the road to construction of the projected image’s world, where the “power” has cuddled and the “consume” has become its prodigal son.

Today, the projected image has its own life and has received the status of reality, with its own values and dimensions. We fractionate life in thousands of mirrors, fragments, and disconnections that quite fast overlap in a seeking for a unity that is never to be found. We just turn the kaleidoscope, change everything, every day, every hour, for everything to be exactly the same.

Who are those faces that pass by? Parents, lovers, friends, enemies, superiors, inferiors, foreigners, brothers, unknown people, terrorists, fascists, pacifists; we lose ourselves on nomenclatures, in the sweet illusion of the detail. There resides, on the separation of essence and appearance, the big mistakes and injustices among individuals, social groups and peoples, awful judgments that generate preconceptions, hatred, and surely more intolerances.

When we look an image, a portrait, we should see the being integrally, with just one punch, not just one of its little facets.

Certainly essence is the very same of appearance.

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