Morrer ou transformar?

A crise do nosso sistema, o esvaziamento de certos valores, a derrocada do comunismo (como o experimentamos), o esgotamento do capitalismo (como está imposto), o desaparecimento das utopias, todos assuntos abordados, em centenas de livros e artigos, desde os anos 80/90 sem que tenhamos conseguido avançar em nossas desilusões e desalentos.

Estas afirmações e pré-conceitos não são verdadeiros na medida em que a vida se transforma enquanto é vivida.

As crises não “matam” os valores, elas os transformam em algo diferente (não necessariamente em melhor ou pior). E estes valores diferentes, nascem de “um caldo cultural” com a cara do seu próprio tempo, com suas marcas, propriedades e elementos.

As mudanças sociais, ambientais, econômicas, biológicas são silenciosas, lentas, permanentes e independem da ação deliberada da sociedade em determinada direção ou objetivo, o que sempre pode surpreender aos arrogantes, desatentos ou incautos.

Assim desapareceram civilizações, perderam sua força várias instituições milenares, sumiram corporações centenárias, ou mesmo quebraram empresas sólidas de sucesso que pareciam inabaláveis. Por que? Quais decisões tomaram? Quais variáveis desconsideraram?

O que deseja o nosso tempo? o que está sendo gestado no útero de nossa sociedade?

O padrão hierárquico já perdeu sua centralidade, a conectividade está redesenhando a materialidade de pessoas e coisas; as distâncias foram suprimidas sobre o planeta; hoje possuir é muito mais vivenciar e compartilhar do que reter e acumular; buscamos superar a solitária depressão social e coletiva, construindo um sentido individual para a vida coletiva, e essa busca de um sentido existencial provocará o colapso do consumo. O objeto do desejo está se desmaterializando em sensações, portanto caminhamos mais para o campo da “amplificação dos sentidos” e abandonamos lentamente o caminho da “coisificação do humano”. Até porque a luta pela manutenção e cristalização da “beleza e saúde” do corpo, bem como do objeto, é a frustração e doença essencial da nossa época.

As pessoas começam a lutar para crescer pessoal e profissionalmente ao entorno de algo que as façam completas, que faça sentido para suas aspirações, que fale à sua alma, enfim algo que possua significado (objetivo ou subjetivo) e responda a pergunta: o que estamos fazendo aqui? Causas como uma horta comunitária em um ambiente urbano, construir um projeto de cidade sustentável, lutar por uma causa humanitária, ou desenvolver um aplicativo que melhore a vida das pessoas, têm possibilitado a indivíduos, de todas as classes socioeconômicas, encontrarem motivos para lutar com todas as suas forças e na plenitude de seu espírito individual.

Estas serão as micro-utopias, onde todos aqueles com suas redes sociais, seus amigos, ou parceiros de ideais serão os pilotos de sua própria nave, trabalhando simultaneamente para si, mas também para o bem comum, criando uma espécie de equilíbrio oscilante entre o indivíduo e o coletivo.

Sem a exigência de líderes, o indivíduo está fortalecido por uma ideia que lhe faz sentido, trabalhando em um tecido social mais harmônico, porque visa muito mais compartilhar do que acumular.

Utópico? Já está acontecendo.

To die or to transform?

The crisis of our system, the emptiness of certain values, the communism’s downfall (as we experienced it), the capitalism’s breakdown (as imposed), the Utopia’s disappearing, all the subjects have been written in thousands of books and articles, since the 80’s/90’s, though we didn’t advance in our delusions and disappointments.

These affirmations and preconceptions aren’t true as life transforms itself while we live it.

The crisis doesn’t “bury” the values; they transform them in something different (not necessarily better or worse). And these different values are born of a “cultural broth” with the face of its own time, its own marks, characteristics, and elements.

The social, environmental, economic, biological changes are silent, slow, permanent and independent of society’s deliberated action in certain direction or objective, which can always surprise the arrogant, inattentive or unwary.

Civilizations disappeared like this, lots of millennial institutions lost their power, centenary corporations are gone, or even solid, successful business companies, that seemed unbreakable, are broken. Why? Which decisions did they make? Which variables did they overlook?

What does our time wish? What’s growing in our society’s womb?

The hierarchic pattern had already lost its centrality; the connectivity is re-drawing the materiality of people and things; the distances have been suppressed above the globe; today, to have is much more to live and share than to retain and accumulate; we seek to overcome social and collective lonely depression as we build an individual sense of collective life, and this pursuit of an existential sense is going to cause the consumer collapse. The object of desire is vanishing in sensations; thus, we march to the field of the “amplification of the senses”, abandoning the road to the “human’s reification”. Especially because the fight for maintenance and crystallization of body’s “beauty and health”, as well as of the object, is the frustration and the essential disease of our epoch.

People begin to fight for personal and professional growing around things that make them complete, that make sense to their aspirations, that speak to their soul, finally, something that has (subjective or objective) meaning and answer the question: what are we doing here? Causes like to build a community’s vegetable garden in an urban environment, a sustainable city’s project, to fight for a humanitarian cause,  or to develop an app that makes people’s life better – all these things make possible that individuals of all social and economic classes to find reasons to fight with all their power and in wholeness of their individual spirits.

These will be the micro-utopias, in which those with their social networks, their friends, or their idealistic partners will be the pilots of their own spaceship, working both for themselves and for the common welfare, creating some sort of oscillating equilibrium between the individual and the collective.

Without the need of leaders, the individual is empowered by an idea that makes sense to him, working in a more harmonic social path, because one is looking to share rather than accumulate.

Utopia? It’s already happening.

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