Os limites do capitalismo

planeta_Fotor

Vamos deixar bem claro, logo no início do texto, que não existe ingenuidade diante da força econômica e sua relação direta com o poder exercido pelo homem sobre os seus pares. Independente do cenário desenhado para nosso futuro, essa é uma premissa que os homens tentarão manter.

Independente deste desejo humano, demasiado humano, a famosa máxima: “Ganho dinheiro com a fraqueza dos outros”, tem os seus dias contados, não porque o homem tenha se transformando em um “animal” melhor, mas sobretudo porque a própria lógica econômica, política e social, está empurrando o capitalismo para as fronteiras do seu próprio corpo. É claro que não estamos falando em “fim”, mas em transfiguração, mimetismo e adaptação à um novo “meio” que se impõe.

Uma constatação: não é possível continuar ganhando dinheiro com a fraqueza alheia, porque aqueles que são fracos estão em maior número, já entenderam como funciona o jogo e também já sabem que, em sua maioria, são mais fortes quando estão organizados e dispostos a atingir um objetivo. A internet permitiu uma visão global, embora superficial e unilateral (até porque o capitalismo só vende suas conquistas positivas), das vantagens e benefícios que algumas sociedades têm em relação à outras. Quando temos populações desrespeitas em seus direitos fundamentais, povos que não conseguem viver com uma liberdade mínima, conviver com as diferenças culturais nas fronteiras, quando temos opressão e horror presentes no cotidiano das pessoas, como se isso fosse destino ou castigo, aí teremos pessoas dispostas a romper a camisa de força, pagando com a própria vida, se for necessário.

Isso é o que estamos acompanhando nos noticiários como uma gigantesca movimentação de populações, migrando e se debatendo até a morte para fugir de condições impostas por questões religiosas, econômicas, políticas, bélicas ou o que seja.

As fronteiras geográficas já estão caindo, e as democracias capitalistas, ou melhor dizendo, o capital que sustenta as democracias deverá ampliar suas fronteiras, já que não poderá levantar muros indefinidamente, evitando um colapso ou uma batalha permanente entre incluídos e excluídos.

Alguns apostam e defendem o que vem sendo chamado de “economia compartilhada”, uma economia estruturada em uma sociedade com custo marginal zero. Uma cultura que só é possível em função de mudanças comportamentais da geração Y. Esta mudança tem como pressuposto básico a valorização do compartilhamento dos bens comuns, ou seja, não desejo mais “ter”, mas sim “acessar”. Assim poderíamos incluir grande parte das sociedades sem esgotar as reservas naturais do planeta. Uma lógica que evita uma produção, em escala de bens de consumo, mas permite que compartilhemos o que já temos. Os teóricos defendem que até metade deste século já não teremos mais o capitalismo como o conhecemos até aqui.

Exemplos já temos: compartilhamento de taxis, troca de casas para férias, carro próprio compartilhado em função de pouco uso, compartilhamento de vaga em estacionamento, etc. Toda a movimentação desta nova economia é possível através da web. Mas, aqui fica a primeira pergunta, como se comportarão as grandes corporações tecnológicas que praticamente monopolizarão nosso “acesso” e o compartilhamento dos futuros bens de consumo colaborativos? Ficaremos reféns deste big data?

Podemos estar na origem de algo que mudará nosso comportamento. Estaremos dando à luz um novo filho do capitalismo, mais global, mais responsável, mais sustentável?

É fundamental discutirmos como articular capitalismo, ética e democracia, sem ter a “hipocrisia” como elemento de aglutinação e viabilização desta nova equação, como temos insistido até hoje.

The limits of capitalism

Let’s be clear about something, right from the beginning: there’s no ingenuity before the economic force and its direct relation to the power exercised by the man on his pairs. Independently on the economic scenario designed for our future, this is a premise that men will try to keep.

Independently of this human, overly human desire, the famous statement “I make money on the weaknesses of others” has its days counted, not because man has turned into a better “animal”, but especially because the economic, political and social logic itself is pushing capitalism to the limits of its own body. Of course, we’re not talking about an “end”, but about transfiguration, mimetism, and adaptation to a new environment that imposes itself.

An observation: it’s not possible to continue making money on somebody else’s weaknesses, because those who are weak are in greater number, had already understood how the game works, and also had already realized that, in their majority, they’re stronger when organized and up to achieve an objective. The internet has permitted a global vision, nonetheless a superficial and unilateral one (even because capitalism only sells its positive conquers), of vantages and benefits that some societies have in spite of others. When we have populations being disrespected in their fundamental rights, peoples that can’t live with a minimum liberty, live with cultural differences in the borders; when we have oppression and horror in the daily lives of people, as it were destiny or punishment, then we’ll have people ready to break the straitjackets, paying it with their own lives if necessary.

This is what we are seeing in the news like a gigantic movement of populations, migrating and debating until death to run away from conditions imposed by religious, economic, political, basic questions, or whatever.

The geographic limits are already going down, and the capitalist democracies – or better, the capital that sustains the democracies – should extend its frontiers since it won’t be able to raise walls indefinitely, avoiding a collapse or a permanent battle between included and excluded.

Some people bet and defend what is being called “shared economy”: an economy structured in a society with no marginal cost. A culture that’s only possible by behavioral changes of generation Y. This change has as a basic premise the evaluation of sharing the common goods, that is to say, I don’t desire “to have” anymore, but “to access”. This way, we could include a huge part of societies without running out planet’s natural reserves. A logic that avoids production, in a consume goods scale but permits that we share what we already have. The theorics defend that until the middle of the century we will no longer have capitalism as we’ve known it until now.

We have examples: taxis shared, change of homes for vacation, one’s own car shared because of little use, parking places shared, etc. All the movement of this new economy is possible through the web. But here’s the first question: how the big corporations are going to behave, the ones that practically will monopolize our “access” and the sharing of future consume collaborative goods? Are we going to be hostages of this big data?

We can be right on the origins of something that’s going to change our behavior. Are we giving birth to a new son of capitalism, more global, more responsible, more sustainable?

It’s fundamental to discuss how to put together capitalism, ethics, and democracy, not having “hypocrisy” as an element of agglutination and viability of this new equation, as we insist on doing until these days.

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