Velas içadas

Sempre me pareceu que o melhor começo é espontâneo, intuitivo, e isso não significa total casualidade, já que todos os dias se acumulam ao nosso entorno: contatos, imagens, sons, palavras, cores, sensações, gostos, formas, ilusões….que convergem, em alguns momentos, parindo um novo “começo”. Assim acontece com os amores, com as decisões difíceis, com as guinadas em nossas vidas profissionais e sociais ou mesmo intimas (as mais difíceis).

A partir do nosso “baú de vivências” vamos nos recriando, abrindo novos espaços, utilizando novas ferramentas, tudo para trocarmos algumas experiências, conhecermos um pouco mais o mundo, os outros e, o que é mais importante, a nós mesmos.

O que me atrai? A cultura das pessoas, dos livros, das sociedades, as suas fronteiras; os limites geográficos, do corpo, da mente; a arte que brota no sangue, na dor, na mente, no inconsciente; o poder e sua negação; a topografia da alma e da pele; os desejos obscurecidos por convenções e fantasias. Me atrai também o que não vejo, o que apenas deixou um rastro, um vácuo, um aroma, o que dorme no fundo do mar.

Inicio aqui de forma espontânea, sem rumo, com a proa na direção do horizonte virtual, um grande vazio alimentado por algoritmos e esperanças, com as velas içadas, fornidas e sobranceiras, escrevendo para que o vento não dê espaço à calmaria.

 

Morro das Pedras

Morro das Pedras

 

Setted Sails

It always seemed to me that the better beginning is spontaneous, intuitive, which doesn’t mean total casualty, as every day piles up around us contacts, images, sounds, words, colors, sensations, tastes, forms, illusions… and they converge, sometimes, giving birth to a new “beginning”. Thus, this happens as well with lovers, with difficult decisions, with the shifts in our professional and social lives, or even in our intimate lives (the hardest ones).
From the trunk of our background experience, we recreate ourselves constantly, opening new spaces, using new tools: anything to exchange some experiences, to know a little more the world, other people and, the most important of all, ourselves.
What attracts me? The culture of people, of books, of societies, its borders; the limits of geography, of the body, of the mind; the art that sprouts on blood, pain, mind, unconscious; the power and its denial; the topography of soul and skin; the desires obscured by conventions and fantasies. Also, I’m attracted by what I cannot see, what has left just a trail, a vacuum, a smell; I’m attracted by what sleeps at the bottom of the sea.
Here I start in a spontaneous way, without direction, with the bow following the virtual horizon, a great emptiness nurtured by algorithms and hopes, with the set and equipped sails on, writing for the wind doesn’t make room for the lull.

2 comentários sobre “Velas içadas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s